Chronologia Kairológica

tic tac tic tac caminhando pelo tempo

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tic tac tic tac tic…tic tac… o segundo é a duração de nove bilhões, cento e noventa e dois milhões, seiscentos e trinta e um mil, setecentos e setenta oscilações do átomo de Césio cento e trinta e três. Os relógios marcam sua precisão e erro sobre este segundo. Em mil novecentos e setenta e cinco havia um segundo errado a cada trezentos mil anos. Em dois mil e dez a marca cai para um segundo a cada três bilhões e quatrocentos milhões de anos tic tac.. tic tac.. Qual a verdadeira medida de um segundo? “Se não perguntarem julgo saber o que é o tempo, mas se perguntarem, deixo de saber” [Santo Agostinho]. Hoje o dia foi tão longo. O tempo parecia estendido.. esticado.. muito esticaaado. O que se pode esperar de um mergulho no dia? Contar e Sussurrar. Desconfio do relógio. Como confiar em uma coisa que gira eternamente em torno de si mesma e quase sempre apresenta aquele sorriso torto de deboche? Seus ponteiros parecem ignorar que a ferrugem é um pedido de descanso. Os números são acesso direto à prisão de Chronos. Não posso mais abandoná-lo, ele está nos meus passos, na rota dos planetas, no amanhecer e no entardecer. Se pudéssemos ouvir o tempo, o que ele diria? [pareço não encontrar muitas respostas para o tempo que me incomoda] Na cronometria o sujeito é apático e indefeso. Poucos se ocupam do presente, daquele instante ínfimo entre a expectativa e a formação de acúmulos. As memórias e as esperanças preenchem quase todos os momentos. Quando eu olho pela janela defino uma ordem e quando respiro tento corrompê-la. Somente sinto o presente com lembranças e sonhos. Assim me localizo em Kairós. Escuto ele sussurrar coisas doces e amargas. Nesse momento esqueço a ferrugem das engrenagens e aceito a duração da vida em minha memória. No fim são coisas de família e nunca nos entendemos por completo. Um me ganha e me aprisiona, outro me liberta e me expulsa. Quando tento lhes explicar que o mundo não possui linhas ou círculos eles se fecham em certezas nada verdadeiras. O valor de um segundo tornou-se um jargão inocente, mas útil. Agradeço a Reia por essa confusão. No meio desse jogo disfarçado de infinito, esses são os companheiros mais divertidos e angustiantes. Penso mais neles ao ver o mundo ficar todo embaçado. Nessas ocasiões conversamos até de manhã. Depois coloco os óculos e volto a viver.

 

 

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Esta entrada foi publicada em novembro 13, 2013 às 1:39 pm e está arquivada sob Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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